Tema Enredo
Diadema,sua historia vou contar, pelos olhos de Daniel e por José Odorico na Literatura de Cordel o surgimento de meu querido Inamar.
Autor-Everton de Godoi
Diadema morada de Jesuítas e rota dos Bandeirantes
É difícil de imaginar, mas no passado Diadema foi morada de jesuítas e rota dos bandeirantes.Durante o século XVIII, em busca da catequização de índios, os jesuítas portugueses saíram de São Vicente e conseguiram reunir grandes lotes de terra no território em que hoje se localiza a cidade de Diadema. Na atual região do bairro do Centro, onde vivem mais de 43 mil pessoas, o jesuíta Salvador Santiago construiu uma capela em homenagem à Nossa Senhora da Conceição: foi o primeiro foco de agrupamento populacional da cidade. Estrada da Vila Conceição, por onde passavam os bandeirantes em demanda do sertão de Embu a procura de ouro aluvião no Rio São Lourenço.Mais tarde, com a corrida pelo ouro em direção a Embu, os bandeirantes acabaram por criar em sua rota uma parada chamada Piraporinha. Com o aumento populacional da região, José Pedroso de Oliveira construiu a capela do Bom Jesus da Pedra Fria, que não deu conta do crescimento de devotos. Uma nova capela, do Bom Jesus de Piraporinha, não tardou em ser arquitetada. No início do século XX, a antiga rota dos tropeiros começou a passar por um processo de urbanização e industrialização que deram os primeiros traços da Diadema de hoje. Foram criados loteamentos de terra que originaram a Vila Conceição (área de 165 alqueires loteada em 1923 pela Empresa Urbanística Vila Conceição) e o Eldorado, produto do loteamento de terras próximas à Billings. As vilas Conceição, Piraporinha e Eldorado foram, portanto, os três primeiros núcleos habitacionais desta região ao sul de São Paulo que muitos anos depois veio a se chamar Diadema. Não é à toa que hoje na bandeira da cidade três coroas simbolizam esses três vilarejos que polarizaram o povoamento local. Com as procissões e festejos realizados anualmente por religiosos, a Vila de Piraporinha atraiu ainda mais habitantes. O largo da capela foi aos poucos se constituindo em um entroncamento de cinco pequenas estradas de ligação com sítios e fazendas da região. Neste ponto de convergência de estradas começou a se desenvolver um comércio local.
Emancipação
No final dos anos 40 a Vila Piraporinha já era o maior pólo comercial da futura Diadema. Outras vilas se formaram: Taboão, Eldorado, Campanário e Serraria. Apesar do destaque da Vila Piraporinha no comércio, a Vila Conceição liderou a luta política pela emancipação da região, que pertencia ao município de São Bernardo do Campo. Até os anos 40, a Vila Conceição era composta por pequenos sítios, algumas chácaras, olarias e pela mata que ocupava a maior parte das terras. Possuía um mínimo comércio motivado pelo incipiente trânsito em fins de semana de pessoas atraídas pelas atividades da represa Billings Dentre os novos moradores das chácaras formadas pelo loteamento, estava o casal Evandro Caiafa Esquível e Sylvia Ramos Esquível. Mudaram em 1939. Evandro abriu um curso noturno de alfabetização de adultos. O casal inaugurou uma capela na esquina da avenida Antônio Piranga com a rua Manoel da Nóbrega, substituída nos dias atuais pela Matriz de Diadema. Ajudou a reanimar as atividades religiosas na Igreja Nossa Senhora da Conceição e passou a participar de campanhas para conseguir luz elétrica na vila. Foi motivada por esta falta de infra-estrutura e pelo descaso das autoridades de São Bernardo do Campo que surgiu a iniciativa de fazer da região dessas vilas uma cidade autônoma e independente da regência política de SBC. Em 1960, quando tomou posse o primeiro prefeito de Diadema, a cidade se resumia a um pequeno conjunto de casas ao centro rodeadas de matas.Em 1946 surgiram as primeiras empreitadas em busca de recursos para melhoria da Vila Conceição. Houve uma pequena organização popular em torno da questão. Nesta luta, um personagem ícone do estudo do Direito no Brasil teve papel fundamental. Miguel Reale era proprietário de um sítio na Vila Conceição, atual bairro do Serraria, quando foi procurado pelo casal Esquível. Ambos contagiaram Reale. O professor de direito , fundador do Instituto Brasileiro de Filosofia e membro da ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS então aconselhou os moradores da vila a definirem as divisas e lançarem uma proposta de criação de um novo distrito. Ele próprio acabou levando a causa à Assembléia Legislativa, que em 24 de dezembro de 1948 aprovou a medida.. Miguel Reale não só levou a diante a questão levantada pelos Esquível, como sublinhou definitivamente sua participação na história da cidade. Foi ele quem sugeriu o nome do novo distrito. Buscava um que completasse o ABC. Acabou encontrando uma palavra que também contemplou a forte religiosidade da região: Diadema, que significa tiara, coroa, emblema que orna a cabeça dos três santos dos municípios vizinhos e a de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade. O próximo passo era a transformação do já legalmente reconhecido distrito em município. A transição não foi automática: custou uma campanha de convencimento da população daquelas vilas para que votassem favoravelmente no plebiscito realizado no dia 24 de dezembro de 1958. Miguel Reale participou da iniciativa na condição de orador. Fez vários discursos em todos os bairros. Um dia depois da votação, a apuração apontou vitória dos favoráveis à emancipação por uma diferença de 36 entre os cerca de 300 votantes. A conquista foi sacramentada pela lei estadual 5385, de 18 de fevereiro de 1959. Daí o porquê de a cidade comemorar sua autonomia a partir deste ano. No entanto, durante a segunda gestão administrativa de Diadema, a data de comemoração do aniversário da cidade mudou para o dia 8 de dezembro. A mudança foi estabelecida no dia 12 de abril de 1964, pela Câmara Municipal de Diadema, e aprovada em homenagem ao dia de Nossa Senhora da Conceição.
O Jardim Inamar
Com 1,2km² de área, o Jardim Inamar, na Zona Sul de Diadema, é o bairro com menor extensão da cidade.Seu nome surgiu das várias plantas nativas da região que exalavam perfumes aprazíveis. De origem indígena, a palavra inamar significa aroma agradável. Subdividido em loteamentos no início dos anos 1960, apesar de pequeno, levou um tempo considerável para atingir as proporções atuais.Na época, sequer existia infra-estrutura básica. Porém, com o esforço dos moradores,na construção do bairro tudo começou a mudar. O aposentado Daniel Dias dos Santos, 73 anos, dos quais 42 morando no Inamar, se lembra bem das dificuldades para se conseguir um cantinho de terra. Vindo do bairro de São João Clímaco, na Capital, chegou ao bairro em 1965 e, para comprar um terreno de 140m², teve de dar todas as economias e parcelar o restante em 50 meses. "Naquela época, em meio a muito mato e barro, só havia duas casas. É interessante ver como aqui cresceu e ainda está crescendo" diz Dias, espantado. Por conta de um processo de desapropriação na conhecida Rua Vergueiro, em São Paulo, nos anos 1960, ele e muitos outros moradores daquela região escolheram o Jardim Inamar para fixar nova residência. "Com esta mudança repentina, o que se via por aqui era um monte de barracos por todos os lados. Uma loucura", recorda. Devido à expansão repentina da região, as necessidades em relação à infra-estrutura logicamente aumentaram. Os moradores, então, se organizaram e formaram uma liderança de aproximadamente dez pessoas (incluindo Dias). Dessa maneira, ganharam em 1968, a primeira linha de ônibus Os coletivos da viação Diadema foram muito comemorados pela comunidade que, àquela altura, começava a acreditar que o bairro poderia ir melhorando. "Este coletivo era conhecido como 'Poeirinha'. Quando vinha, trazia junto um pó danado", relembra Daniel Dias. E assim o bairro foi crescendo. Entre os anos de 1970 e 1971, chegou a iluminação. Em 1984, a água passou a ser encanada e só em 1989 chegou o asfalto. Outro morador conhecido do Inamar é José Odorico de Souza, 54 anos, pernambucano que mantém viva a tradição da literatura de cordel. Ele mora no bairro há 27 anos e criou um exemplar que conta a história do bairro, patrocinado pela Prefeitura da cidade. Por isso, ressalta-se que esses primeiros moradores foram "verdadeiros heróis".E é em nome dessa história que a Mocidade Independente do Jardim Inamar com sua visão carnavalesca pretende levar para a passarela do samba um pouco da felicidade que é ser morador dessa cidade maravilhosa Chamada Diadema.
sexta-feira, 7 de março de 2008
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